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Expedição Trilha do Ouro: uma jornada de aprendizado, superação e história

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Por Chefe Nilvan Coutinho Xavier

No dia 27 de setembro de 2025, os Grupos Escoteiros 35º GE João XXIII e 126º GEMar Phoenix realizaram uma atividade especial: percorreram um pequeno trecho da famosa Trilha do Ouro, vivenciando uma verdadeira imersão na natureza e na história do Brasil.

Breve história do Caminho do Ouro

O Caminho Velho, que ligava o Rio de Janeiro a Paraty, representava uma longa jornada de 73 dias, sendo 35 de viagem e 38 de paradas, segundo Antônio Costa (2009, p.17).

Posteriormente, surgiu o Caminho Novo, também conhecido como Caminho do Garcia, Caminho do Couto, Caminho do Pilar ou Caminho Novo do Rio de Janeiro para as Minas. Essa nova rota iniciava na atual Praça XV, no Rio de Janeiro, e seguia pelo mar até o Rio Pilar, atravessando a Serra do Mar em direção a Paty do Alferes, cruzando o Rio Paraibuna e alcançando Vila Rica.
Com essa mudança, o trajeto até as minas reduziu-se drasticamente — de mais de 70 dias para aproximadamente 25 dias (CARVALHO, 2013, p.141).

A construção desse caminho partiu das minas, nas proximidades de Barbacena, onde Garcia Rodrigues abriu estradas e picadas atravessando a Serra da Mantiqueira, chegando até a Serra dos Órgãos, abrangendo hoje os municípios de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim.
Contudo, segundo Costa (2009), a escolha do trecho da Serra do Mar não foi ideal, pois a subida era imprópria para o trânsito de tropas e cargas. Assim, em 1725, com o apoio do sargento-mor Bernardo Soares de Proença, construiu-se um atalho, conhecido como Caminho do Proença ou do Inhomirim.

Esse novo trecho tinha início no Porto da Estrela, no Rio Inhomirim, e seguia pela Serra da Estrela em direção à Fazenda do Córrego Seco (Petrópolis), até o Registro do Paraíba, totalizando 494 km percorridos em 10 a 12 dias (COSTA, 2009, p.18).

A Trilha do Ouro é considerada o início da Trilha de Longo Curso da Serra do Mar, com término em Casimiro de Abreu – RJ, passando por Petrópolis, Guapimirim, Teresópolis e Nova Friburgo. Tombada pelo INEPAC, é um Patrimônio Histórico e um atrativo para os amantes do ecoturismo, com 200 km de extensão, altitudes entre 838 e 2.275 metros e nível de dificuldade moderado.

A expedição escoteira

A expedição dos grupos tinha como objetivo percorrer 6 km, entre Vila Inhomirim (Raiz da Serra, Magé) e Alto da Serra (Petrópolis – O Pontilhão). O ponto de encontro foi o Complexo de Esporte e Lazer Lamarca, onde os grupos se reuniram para as saudações escoteiras antes de iniciar a trilha.

Antes da partida, o Chefe Nilvan conduziu um momento de reflexão e espiritualidade, homenageando o Chefe Mário, do 35º GE Petrópolis, e destacando as contribuições dos povos africanos à nossa cultura. Emocionado, o Chefe Mário falou aos jovens sobre a importância do Movimento Escoteiro na África e o valor de “deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos”.

Durante o trajeto, os jovens observaram cruzes entalhadas nas pedras, homenagens aos escravizados que construíram a estrada, e puderam contemplar a Mata Atlântica preservada, sua fauna e flora exuberantes.

A caminhada também serviu como um exercício prático das habilidades escoteiras: orientação por indícios naturais, rastreamento, técnicas de sobrevivência em mata e aprendizado sobre os períodos Colonial e Imperial.

Curiosidades e resultados

  • Primeira estrada carroçável do período Colônia/Império, construída por escravizados.
  • Calçamento de pedras preservado até hoje.
  • Grau de dificuldade: moderado.
  • Percurso total realizado: 20 km.

A atividade teve como objetivo reconhecer o trajeto para futura marcação rústica com a pegada escoteira, dando continuidade à 2ª fase do Projeto “Trilha nos Trilhos”, iniciado em 14 de setembro de 2024 pelos jovens do 126º GEMar Phoenix, na 1ª Estação Ferroviária do Brasil – Estação de Guia de Pacobaíba (Magé).

O projeto, considerado ambicioso e pioneiro, busca realizar a marcação escoteira em todo o traçado da estrada de ferro Barão de Mauá, entre Guia de Pacobaíba (RJ) e Diamantina (MG), configurando a primeira trilha de longo curso 100% escoteira.

“ABSURDAMENTE EXTRAORDINÁRIOS!”
Bravo, Bravo, Bravíssimo!
BRAVO ZULÚ!